
Setor Agrícola
“Sem regadio, o prato fica vazio.”
A agricultura em Portugal não é apenas uma atividade económica; é a base da nossa soberania alimentar. Atualmente, o setor consome cerca de 75% da água nacional, mas este dado deve ser analisado com rigor: a maior parte deste consumo ocorre no regadio, que produz 60% do valor do produto agrícola nacional em apenas 15% da área cultivada.
O Desafio do Balanço Hídrico: Em Portugal, a maior necessidade das plantas ocorre no verão (maior evapotranspiração), coincidindo com a ausência de precipitação. Sem as reservas estratégicas (barragens), a produção de milho, hortícolas e frutícolas no Alentejo e Ribatejo seria impossível.
Eficiência vs. Escala: Embora o uso de tecnologia (rega gota-a-gota e sensores de humidade no solo) tenha reduzido o desperdício em mais de 20% na última década, o aumento da área de culturas permanentes (olival e amendoal) cria uma necessidade fixa de água que não pode ser cortada em anos de seca sem matar as árvores.
A Importância do Alqueva: Este empreendimento de fins múltiplos é o "seguro de vida" do sul do país, garantindo que, mesmo em anos de seca extrema, o sistema produtivo não colapse.
Porque é que a agricultura consome tanta água?
Em Portugal, o setor agrícola (incluindo pecuária) é responsável por cerca de 75% da água utilizada.
Isto acontece porque muitas culturas são de regadio, especialmente em regiões quentes e secas, onde a chuva não chega para garantir a produção.
A estação mais quente coincide com a mais seca, por isso é preciso regar quando há menos água disponível.
Importância económica e social do regadio
O regadio aumenta a produtividade agrícola e permite produzir culturas de maior valor (hortícolas, fruta, olival intensivo, etc.).
No Alentejo, a barragem do Alqueva permitiu expandir muito a área de regadio; esta região concentra hoje cerca de metade da área regada do país.
Em zonas como o Alentejo e Algarve, a agricultura cria muitos empregos diretos e indiretos (trabalhadores agrícolas, indústria agroalimentar, transportes, comércio).
Tecnologias de rega: eficiente, mas não mágica
Sistemas de rega gota‑a‑gota e rega localizada permitem reduzir perdas de água por evaporação e escoamento superficial.
A modernização dos sistemas de rega (sensores de humidade, automatização, horários de rega noturnos) ajuda a usar a água de forma mais eficiente.
Mesmo com boa eficiência, as plantas precisam sempre de um volume mínimo de água para não perderem produção ou morrerem.
Riscos de falta de água para a agricultura
Em anos de seca, se se cortarem drasticamente as disponibilidades de água para rega, podem perder‑se colheitas, rendimentos e empregos, sobretudo em regiões do interior já vulneráveis ao despovoamento.
A diminuição de produção nacional aumenta a dependência de importações e pode contribuir para subida dos preços dos alimentos.
O argumento decisivo do grupo: mais armazenamento de água?
Barragens e albufeiras permitem armazenar água em anos húmidos para usar em anos secos, tanto para rega como para consumo urbano e produção de energia.
Mas a construção de novas barragens tem custos económicos, impactos nos ecossistemas e conflitos com outros usos da água.
Tarefas
Pesquisar um gráfico com a repartição do consumo de água por setores em Portugal (Agrícola ~70–75%, Urbano ~13%, outros).
Identificar, num mapa de Portugal (pode ser imagem estática), as principais áreas de regadio (Alqueva/Alentejo, Vale do Tejo, Ribatejo, Oeste, Algarve litoral).
Preparar uma mini‑posição: “Defendemos mais investimento em regadio e armazenamento de água, desde que se use tecnologia eficiente e se controlem desperdícios.”
Links úteis:
https://proveg.org/pt/artigos/sector-agricola-incluindo-pecuaria-responsavel-por-75-uso-agua/
https://rea.apambiente.pt/content/escassez-de-%C3%A1gua
https://www.espaco-visual.pt/desafios-hidricos-agricultura-portuguesa/
https://agricultura.gov.pt/portal/uso-eficiente-da-agua



